De Srebrenica até La Ghouta Basta!

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De onze a vinte cinco de Julho de 1995, a duas pequenas horas de avião do nosso conforto, foram chacinadas mais de oito mil pessoas só porque eram muçulmanos.

Os dirigentes mundiais da época assobiaram para o lado, mais preocupados com os seus pequenos equilibres geopolíticos.

Culpados foram, culpados são e culpados serão porque sabiam, cúmplices fomos, cúmplices somos e cúmplices seremos porque sabemos e nada fazemos.

Hoje, passados vinte e três anos, a quatro pequenas horas de avião do nosso conforto, são assassinados por bombardeamentos sistemáticos de ruas e hospitais, centenas de crianças, mulheres e homens porque perto das suas casas um vizinho, um membro da sua família resolveu combater um tirano criminal de guerra.

Este pequeno texto, se poder começar uma cadeia de reflexão para dizer basta terei conseguido o meu objectivo porque não quero ser cúmplice.

Basta!

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Passado presente e futuro

Ontem, vendo uma emissão literária francesa no youtube, ao meio da conversa com a escritora Faiza Guéne, sobre o seu ultimo livro, é lido uma passagem do mesmo que é uma singela citação de Gustave Flaubert:

“L’avenir nous tourmente, le passé nous restreint c’est pour ça que le present nous echappe.” uma tradução possível é “O futuro atormenta-nos, o passado restringe-nos é por isso que o presente escapa-nos”

A vida de todos nós é, sobejamente, representada nesta frase lapidaria, em poucas palavras consegue representar a sua essência!

Apocalypse Now

Há pouco, estava entretido com a lista dos filmes que tenho em casa, ao ver o nome de um dos maiores filmes de todos os tempos, na minha opinião, lembrei-me de uma cena em particular: o ataque dos helicópteros, talvez a mais icónica do filme onde conjugação  de a actuação do Robert Duval, a filmagem, a fotografia e a musica em total harmonia fizeram um momento especial de cultura.

Partilho o som da “cavalgada das valquírias” mas vou ver novamente o filme!

Esta noite tive um sonho!

Tive um sonho vindo de não sei onde, de não sei porquê e de não sei quando.

Levou me, mais de quarente anos atrás nas minhas memorias, altura essa que corria os concertos na região de Paris, quase todos e mais qualquer um.

O sonho foi ver, porque não havia musica nele, o John Maclaughlin, com uma incomparável desteridade, tocando, passando de um braço para o outro braço da sua guitarra extraindo um sem numero de notas fabulosas mas mudas.

Porquê, ainda fui ver a necrologia mas felizmente o homem continua vivo não foi uma premonição, mas teve um efeito positivo fui ao Youtube a procura de musicas e de actuações dele algumas fora de norma com Devadip Carlos Santana ou Paco de Lúcia ou então brincando com alunos que podiam ser seus bisnetos aqui.

 

“Street Art” em Lisboa mais um local de referencia

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Ontem, fui a descoberta da galeria de arte pública do Bairro Padre Cruz em Lisboa. Bem que seja há muito apreciador de “street art” ainda não me tinha passeado por este bairro, onde em Junho de 2016 se realizou um festival com dezenas de murais a serem pintados por nomes sonantes da arte em Portugal dos quais salientava Ram, Nomen, Skran, Telmo & Miel, Mr. Dheo, Tamara Alves ou Utopia.

Devo dizer que a hora e pouco que passei no bairro não chegou, quer voltar e rapidamente. Salientar também a gentileza dos moradores, dos mais novos aos mais velhos, que quando solicitados para qualquer informação prestamente respondia com aquela vaidade de morar num bairro popular onde a cultura encontrou lugar.

Bem haja

Sou preto, sou branco, sou mouro e quero ser mago.

A l’étranger t’est un étranger

Ça sert à rien d’être raciste

Como o lembra o OrelSan neste Rap basta passar uma fronteira para ser o estrangeiro para ser o emigrante do outro (Basique).

Neste dia de réis onde vamos celebrar a fraternidade entre os homens representada pelas oferendas feitas pelos réis magos, que o cristianismo fez santos.

Por Melchior que era velho e vinha do que é hoje o Iraque.

Por Gaspar que era jovem e vinha de uma região montanhosa perto do mar Cáspio ou seja hoje da zona compreendida entre a Rússia o Irão e a Arménia.

Por Baltasar que é descrito como mouro e que vinha do Golfe Pérsico.

Hoje celebramos as oferendas de três dos ancestrais dos emigrantes que querem juntar-se a nos na Europa, fechando-lhes as portas a cara!

Oferendas essas que foram ouro (que representa a realeza) incenso (o divino) e mirra (a imortalidade).

Talvez esteja no evangelho de São Mateus a verdade que devemos venerar e acolher aqueles que nos procuram.

Falta empregados?

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04/01/2018

Hoje nos radio jornais da Antena 1, a notícia recorrente de abertura é a falta, segundo a ARESP, de quarenta mil (40.000) empregados no sector da hotelaria. Essa falta tem como consequência o impedimento da concretização de investimentos na área. Subjacente também transpira a ideia que os desempregados não querem trabalhar.

Estamos a falar de empregos com menor ou falta de qualificação, basicamente aqueles que são remunerados pelo salário mínimo que as associações patronais não querem aumentar.

Estamos a falar de empregos que muitas vezes não respeitam as condições contratuais do trabalho, nos horários e no pagamento de horas extraordinárias, e poderia ad eterno continuar com um sem número de violações das leis do trabalho e fiscais.

Lembrava que o mercado de trabalho será de todos, talvez, aquele que reage mais rapidamente e fortemente a regra da oferta e da procura. Aqui em duas ofertas de qualificação idêntica a remuneração e as condições de trabalho são relevantes para aceitar ou recusar o emprego.

Uma só lição a retirar da notícia aumentem e dêem melhores condições de trabalho e vão ver que os empregos serão providos.

 

Chaplin volta se faz favor

DitadorW

CHARLIE CHAPLIN – O GRANDE DITADOR

Estou lendo o ensaio de Eric Vuillard “L’ordre du jour” que ganhou o prémio Goncourt de 2017, prémio que distingue o melhor romance ensaio do ano. Mais que um ensaio, é a narração histórica da consolidação do nazismo e o caminho que nos levou a segunda guerra mundial que são nele descritos.

Interessante a reunião que financiou a consolidação do nazismo em 20 de Fevereiro de 1933. Estavam presentes entre outros Gustav Krupp, Von Opel, Wolf-Dietrich (Siemens), Günther Quandt (Varta) BASF, Bayer, Agfa, IG Farben, Allianz, Telefunken…. vinte e quatro nomes vinte e quatro firmas. o quem é quem da industria e da finança alemã. Que vão ali, naquele dia, naquela hora financiar o partido nazi. Que vão até a hora da derrota sustentar o esforço de guerra da Alemanha Nazi, muitas vezes com o trabalho escravo de prisoneiros, de judeus. Hoje todos nós utilizamos produtos destes grupos detidos pelos herdeiros dos presentes na reunião de 20 de Fevereiro!

Lembro para os mais distraídos que o incendio do Reichstag, teve lugar no dia 27 Fevereiro de 1933.

Ou então os compromissos, os olhares para o outro lado que permitiram em 12 de Março de 1938 o “Anschluss”, anexação da Áustria pela Alemanha.

Porque, nos anos trinta e quarenta não existiam as redes sociais nem os canais de notícias em contínuo, alguns puderam afirmar, muito facilmente, que não sabiam, que não tinham conhecimento dos horrores perpetrados pelos Nazis nesse tempo.

Lendo as atas do processo de Nuremberga, vendo as atitudes, em documentares do mesmo de altos dignitários do regime como Ribbentrop ou Goering vêm-me ao pensamento o botão em cima da secretaria na Coreia do Norte e o tweet de reposta dos EUA.

Poderemos nos um dia mais tarde dizer que não sabíamos?

Volta Chaplin nos precisamos rir destes palhaços actuais!